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Keep Learning Conhecimento nunca é o bastante

Postado em
30 November 2010 @ 17:34

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Apple, Review

Review: MacBook Air 13”

Bom, já são duas semanas utilizando essa belezinha, então resolvi escrever sobre minhas experiências com o novo MacBook Air. Em geral não costumo fazer isso, mas esse brinquedo é tão empolgante que não resisti.

Meu modelo tem a seguinte configuração: tela de 13”, processador Core 2 Duo 2.13 Ghz, 4 Gb de RAM DDR3 e flash storage de 256 Gb.

Meu computador anterior era um MacBook Aluminum 13” (daquele modelo que depois virou Pro quando o MacBook voltou a ser de plástico) com processador Core 2 Duo 2.4 Ghz, 2 Gb de RAM DDR3 e HD de 250 Gb.

A primeira reação das pessoas quando falei que ia utilizar um MacBook Air como único computador é de espanto. As razões, em geral, são:

  • “Não tem drive óptico!”: bom, eu usei o drive óptico do meu MacBook apenas uma vez, para instalar o Snow Leopard. Como agora o sistema e o iLife vêm num USB stick, não há necessidade de uma peça que só vai tomar espaço.
  • “Mas o processador é fraaaaaco!!”: não, não é. Pode não ser um i7 de 3.06 Ghz, mas há pouco mais de um ano eu usava um Core Duo de 2.0 Ghz e isso não me impedia de fazer nada. Um Core 2 Duo de 2.13 Ghz está ótimo. Um detalhe importante: essa versão possui 6 Mb de cache L2, o dobro dos Core 2 Duo normais.
  • “4 Gb de RAM é pouco!”: de forma alguma. A não ser que você goste de deixar todos os programas que usa durante a semana abertos o tempo todo, é o suficiente. 2 Gb sim seria um pouco apertado, mas não impraticável. Nessas duas semanas ainda não vi a máquina esgotar essa memória e partir apenas para swap. Uma coisa que me ajuda é que uso programas leves, não uso IDEs, nem nada da Adobe Creative Suite e raramente deixo o browser com mais de 3 abas abertas (forcei o hábito de ler as coisas na hora ou salvar no Delicious pra depois). Também faço isso e isso.
  • “256 Gb é muito pouco! Não cabem todas as minhas fotos, músicas, filmes e seriados!”: também não cabem as minhas. Pra carregar tudo isso num notebook eu precisaria de um HD de mais de 700 Gb pra ainda ter jogos do Steam e tudo mais. Ou seja, já uso HD externo pra essas mídias e para backup e vou continuar usando. No storage do Air ficam apenas os jogos, documentos, projetos e músicas (já que no iPhone com 16 Gb não cabem todas). Se precisar carregar mais do que isso, não teria problema em deixar na mochila um HD compacto e leve pra quando fosse necessário. Com os preços de SSD caindo, isso vai ser ainda mais confortável (e rápido!) em breve.
  • “Mas não dá pra expandir o hardware!! E se eu quiser colocar 300.000.000 Gb de RAM???”: bom, eu nunca expandi nenhum Mac que tive. Com certeza não é uma máquina pra quem sempre faz isso.
  • “São poucas portas de expansão! Não tem Firewire nem Ethernet”: realmente. Como eu nunca usei essas portas quando tive, não me fazem falta. Tem até um leitor de cartão SD que também nunca usei e trocaria por uma USB se pudesse, mas não senti falta de mais portas.

Nós geeks temos a tendência de achar que um bom computador precisa ter gazilhões de gigahertz de processamento, bazigalhões de gigabytes de memória, storage infinito e dezenas de milhares de portas de expansão. Claro, são coisas legais, não nego. Mas estão longe de necessárias para mim, pelo menos não tudo socado numa máquina em que o objetivo é ter mobilidade sem comprometer conforto e desempenho.

Meu tempo de comprar componente por componente, montar e “overclockar” tudo que era possível (processador, gpu, ram, vram etc) já se foi. Hoje meu foco é em coisas que “apenas funcionem”, ou seja, appliances. Não quero ficar expandindo meu hardware nem sendo hackerzinho instalando task managers e outras firulas no meu celular. Nesse sentido é inegável que a Apple manda muito bem.

Além disso, fica claro que não é uma máquina para todo mundo. Seria uma experiência horrível fazer produção de vídeo profissional nela, por exemplo.

Para o meu uso, foi uma excelente escolha. O peso é um fator importante pois faço tudo a pé ou utilizando transporte público. Nesse caso não tinha como ser melhor: em apenas 1.3 kg é, com certeza, a máquina mais rápida que já utilizei.

Na GoNow fizemos alguns testes comparando o Air com um Pro 15” de última geração e o Air deixou seu irmão maior comendo poeira. Por exemplo, para rodar uma suíte de testes escritos com RSpec, o Air levou 3 segundos e o Pro sequer tinha subido o environment da aplicação nesse tempo. Rá, a felicidade. 😉

Tudo isso deve-se ao flash storage. Retirando do sistema o HD, o componente mais arcaico e lento dos computadores atuais, as coisas tendem a melhorar muito. Como desenvolvedores para web sabemos que, quase sempre, o gargalo de performance de um sistema acaba sendo I/O e isso não é diferente nos computadores. Um processador Xeon 8-core 2.4 Ghz pode ser estupidamente rápido, mas ainda vai ter que esperar (muitas vezes, ocioso) o leeeento HD buscar os dados necessários. Numa matemática tosca, 1 segundo perdido nessa operação já torna “irrelevante” a ultra-power velocidade do processador.

Claro que em tarefas 100% dependentes de processamento (como codificar um vídeo no Handbrake), quanto mais rápido o processador, melhor. Como esse tipo de tarefa não ocupa sequer 1% do meu uso cotidiano, não sinto falta. E, novamente, por isso gosto de appliances: um dispositivo focado para cada tarefa. Para vídeos, por exemplo, dispenso conversões usando um WD TV Live.

Para uma análise bem completa do novo Air, veja o review do AnandTech (infelizmente não testaram a versão “no talo” do Air 13”, mas o ganho visto em outros benchmarks é de, em média, 15%). A parte que fala do storage é especialmente animadora (note que o importante é leitura e escrita randômica, já que leitura/escrita sequencial é um cenário ideal e raro). Para ter uma ideia, o modelo WD VelociRaptor é o HD de desktop mais rápido existente hoje.

A bateria é excelente. A Apple passou a utilizar uma nova metodologia de testes de bateria e afirma que o Air de 13” tem autonomia de 7 horas nesse teste (mais pesado que o teste anterior). No meu uso cotidiano, em média, consigo esse tempo mesmo. Quando estou tranquilo apenas ouvindo música e navegando por algum site, a duração chega em 10 horas tranquilamente (sim, já cronometrei).

Coisas que são foda PARACARÁLEO:

  • Sem vidro em frente à tela: bye bye reflexos que dão enxaqueca e atrapalham o uso;
  • Resolução da tela (1440×900), a mesma do atual MacBook Pro 15”;
  • Flash storage;
  • Os speakers e o processamento de som (utilizando um fone pela conexão de saída) são os melhores que já vi num MacBook (mesmo com o espaço pra speakers sendo bem reduzido);
  • Flash storage;
  • Ótima duração de bateria;
  • nVidia 320M (já joguei Left 4 Dead 2, Day of Defeat e Civ V);
  • Já falei do flash storage?
  • É muito mais confortável digitar nele: a base é bem mais baixa que nos outros MacBooks, fazendo com que o punho fique em posição natural, sem flexão, eliminando a necessidade de apoiar a mão numa posição desconfortável quando prolongada.

Coisas que poderiam ser melhores:

  • A Apple poderia ter utilizado USB 3.0, reforçaria ainda mais todo o argumento da mobilidade do Air;
  • Teclado sem iluminação (é algo bacana, até achei que ia MÓRRER sem, mas já acostumei)

Conclusões:

A máquina é excelente. De longe o melhor computador que já usei. Não vejo hoje outra máquina disponível com o mesmo nível de mobilidade, qualidade de design e construção, tela excelente, nenhum compromisso em termos de conforto e performance tão boa.

Parte filosófica: costumo buscar uma “veia minimalista” na minha vida, embora (ainda) não possa me chamar de minimalista (para clarificar: estou falando sobre estilo de vida, não sobre design). Nesse sentido procuro consumir com mais consciência e ter produtos mais simples e focados (e somente quando necessário), que consumam menos energia, evitando desperdício.

Não posso negar que, às vezes, o lado consumista insano fala mais alto mas, em geral, vem dando certo. O MacBook Air vem de encontro com essa filosofia: é leve, consome pouca energia, ocupa pouco espaço, não faz barulho e devo utilizá-lo por uns 3 anos facilmente, já que minha necessidade de poder bruto é baixa. E, claro, também satisfaz o lado consumista, afinal é uma linda peça de design industrial. 😉

Como disse, não é uma máquina para todo mundo. Se você precisa de mais poder de processamento e um drive óptico, considere colocar um SSD no seu MacBook Pro. Sim, eu sei que é caro. Também sei que o benefício é monstruoso.

Sobre o irmãozinho mais novo, o MacBook Air 11”: com certeza é uma ótima pedida para quem busca uma segunda máquina potente e muito portátil, para reuniões, viagens e afins, também sem compromissos em termos de conforto (leia-se, boa resolução de tela e teclado full-size).

THE ALMIGHTY MACBOOK AIR OMGBBQ!!1!1!

THE ALMIGHTY MACBOOK AIR OMGBBQ!!1!1!


4 Comentários

[…] This post was mentioned on Twitter by Lucas Húngaro, Evandro Viana. Evandro Viana said: RT @lucashungaro: Meu review do novo MacBook Air 13” ~ http://is.gd/i0PbJ 🙂 […]


Comentário por
Lucas Uyezu
30 November 2010 @ 22:04

Paul Grahan já tinha percebido em 2005 essa tendência dos hackers “voltarem” para o Mac. Isso por que nos círculos dele é uma volta, já que eles pegaram a fase anos 80.

http://www.paulgraham.com/mac.html

Eu pus um SSD no meu MacBook Pro cinza e a diferença é incrível. Não faz barulho e gasta menos bateria por que não tem peças mecânicas girando, e as apps sobem em um “pulinho” do dock.

Ótima observação sobre as comparações que as pessoas e os micreiros fazem com specs de máquinas. Já perdi horas tentando explicar pras pessoas coisas como velocidade de barramento de placa e cache L2 e como isso deixa o computador mais rápido mesmo o outro tendo mais “memória, processador e HD”.


Comentário por
Tiago de Freitas Pereira
30 November 2010 @ 22:13

Você vai me fazer comprar essa porra 😛


Comentário por
Lucas Húngaro
1 December 2010 @ 0:13

Lucas:
Não li o artigo do Paul Graham (vou ler, obrigado pelo link), mas acredito que se deve justamente ao fator “just works” e também por ser um sistema que combina o poder e estabilidade do Unix com uma interface muito bonita, polida e fácil de usar.

E, realmente, basta colocar um SSD/flash pra perceber o quanto desperdiçamos dos processadores e memórias ram que precisam “esperar” o HD e seu passo de tartaruga. 🙂

Tiago:
Olha, só posso dizer que você não se arrependeria. 🙂


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